A partir de 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo nacional em Portugal será de €920 brutos por mês, um aumento de €50 em relação a 2025. Entenda o impacto da medida e o que ela representa para trabalhadores e empregadores.
Portugal aprova aumento do salário mínimo para €920 em 2026
Lisboa — O salário mínimo nacional em Portugal foi oficialmente atualizado para €920 brutos por mês em 2026, conforme consta no diploma publicado no Diário da República no final de dezembro de 2025. A mudança representa um aumento de €50 em relação ao valor vigente em 2025, que era de €870, e faz parte de um acordo de rendimentos acordado entre o Governo, sindicatos e confederações empresariais.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa promulgou o diploma que formaliza o aumento, após aprovação em Conselho de Ministros e alinhamento com o plano plurianual que prevê aumentos graduais até 2028, quando o salário mínimo deverá atingir €1 020.
O que significa €920 no bolso do trabalhador
O valor de €920 representa a retribuição mínima mensal garantida (RMMG) — ou seja, o valor bruto que um trabalhador por conta de outrem deve receber por um mês de trabalho completo. Esse montante exclui subsídio de alimentação, comissões ou outros complementos, que podem ser pagos separadamente e, em muitos casos, não entram no cálculo do salário mínimo base.
Em termos líquidos, após o desconto de 11% para a Segurança Social, um trabalhador recebendo exatamente o salário mínimo pode receber cerca de €818,80 por mês, dependendo das retenções de IRS aplicáveis.
Por que o salário mínimo aumentou
O aumento está previsto no Acordo de Rendimentos 2025-2028, estabelecido entre o Governo português, representantes das confederações empresariais e a União Geral de Trabalhadores (UGT) em outubro de 2024. Esse acordo contempla incrementos anuais de €50 até ao final de 2028, com o objetivo de melhorar progressivamente o poder de compra dos trabalhadores com menores rendimentos.
Segundo o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o aumento de 2026 representa um “aumento significativo”, parte de uma política contínua de valorização salarial que, nos últimos 18 meses, já elevou o salário mínimo em €100 no total.
Repercussões e debates sobre o impacto
O aumento do salário mínimo tem repercussão tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. Para os trabalhadores, o incremento pode significar maior poder de compra e uma base mais sólida de rendimento, especialmente em setores onde o piso salarial é amplamente utilizado.
Por outro lado, líderes empresariais e algumas associações têm historicamente argumentado que aumentos frequentes podem elevar os custos de pessoal e pressionar pequenas e médias empresas, especialmente em contextos de inflação ou margens de lucro apertadas. Apesar disso, o Governo defende que o compromisso firmado com parceiros sociais procura equilibrar crescimento econômico, criação de emprego e dignidade salarial.
Contexto de médio prazo e metas futuras
O plano que fixou o salário mínimo em €920 para 2026 também estabelece metas graduais para os anos seguintes. A previsão é que o piso salarial atinja:
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€970 em 2027,
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€1 020 em 2028,
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e que o valor ultrapasse €1 100 em 2029 conforme metas de governo e negociações sociais.
Esses aumentos refletem uma política salarial estruturada, apoiada por um acordo tripartido que busca uma trajetória estável e previsível de aumentos ao longo de vários anos.
Impactos no orçamento e empregabilidade
Especialistas ouvidos por órgãos portugueses apontam que esse tipo de aumento, quando coordenado com políticas econômicas mais amplas — como incentivos fiscais, formação profissional e ajustes no mercado de trabalho — pode estimular o consumo e reduzir desigualdades salariais. Ainda assim, esse efeito pode variar conforme a região e o setor econômico, sendo mais sentido em zonas urbanas com custo de vida mais elevado.
Conclusão
Com o salário mínimo nacional em Portugal fixado em €920 para 2026, o país segue um plano de valorização salarial gradual que busca melhorar o rendimento dos trabalhadores com menores salários. Embora este aumento represente progresso em termos de poder de compra, ele também abre espaço para debates sobre competitividade, custos empresariais e implicações econômicas mais amplas. O acompanhamento de sua implementação ao longo do ano será essencial para avaliar plenamente seus efeitos na economia portuguesa.
Fontes
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DECO PROteste
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Idealista/news
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The Portugal News / Lusa
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Lusa / SIC Notícias
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Diário de Notícias (DN)
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CA Vida









