Portugal mudou as regras de imigração, aumentou o salário mínimo e passou a exigir mais planejamento de brasileiros que querem morar e trabalhar no país.
Portugal continua atraindo brasileiros, mas imigração ficou mais exigente
Portugal continua entre os destinos mais procurados por brasileiros que desejam trabalhar, estudar ou construir uma nova vida na Europa. Entretanto, o cenário migratório mudou significativamente em 2026.
O país passou a adotar uma política mais seletiva para a entrada de estrangeiros. Portanto, quem pretende morar em Portugal precisa planejar a mudança com antecedência e escolher corretamente o tipo de visto.
O próprio Governo português estabeleceu novas regras para reforçar a imigração regular e reduzir mecanismos que permitiam a regularização depois da chegada ao território.
Para os brasileiros, a mudança é especialmente importante porque Portugal continua sendo um dos principais destinos da emigração brasileira.
Ao mesmo tempo, o mercado português continua precisando de trabalhadores estrangeiros em diferentes setores. Essa combinação mantém Portugal atrativo, mas torna a preparação documental ainda mais importante.
Salário mínimo em Portugal chega a 920 euros
Uma das informações mais importantes para quem pretende trabalhar em Portugal em 2026 é o novo salário mínimo nacional.
Desde janeiro, a Retribuição Mínima Mensal Garantida passou de 870 para 920 euros brutos no continente. O aumento representa 50 euros em relação ao valor de 2025.
O valor é bruto e não corresponde ao montante que o trabalhador necessariamente recebe na conta.
Considerando o desconto de 11% para a Segurança Social e a ausência de retenção de IRS para quem recebe o salário mínimo nas condições aplicáveis, a remuneração mensal pode ficar em torno de 818,80 euros líquidos. A RTP confirma o valor de 920 euros e o cálculo do desconto para a Segurança Social.
Além disso, Portugal possui uma particularidade importante: os trabalhadores recebem normalmente 14 remunerações anuais, considerando os subsídios de férias e de Natal.
Por isso, quem pretende emigrar não deve comparar apenas o salário mensal. É necessário considerar aluguel, alimentação, transporte, impostos, saúde e demais despesas.
Ter emprego passou a ser ainda mais importante
As novas regras portuguesas reforçam a necessidade de entrar no país de forma regular e com uma finalidade migratória definida.
Para quem deseja trabalhar por conta de outrem, o Governo orienta que o trabalhador estrangeiro solicite o visto correspondente antes da viagem. O processo exige, em regra, contrato de trabalho ou promessa de contrato apresentada ainda no país de origem.
Essa mudança representa uma diferença importante em relação ao modelo que Portugal utilizou durante anos.
O Governo encerrou a chamada Manifestação de Interesse, mecanismo que permitia a determinados estrangeiros que já estavam no país solicitar regularização posteriormente com base em atividade profissional.
Agora, a lógica é diferente: o trabalhador deve organizar sua entrada antes de viajar.
Brasileiros precisam escolher o visto correto
Para quem está no Brasil, o planejamento começa pela escolha da modalidade migratória adequada.
Entre as possibilidades estão os vistos destinados ao exercício de atividade profissional, estudos, atividade independente, empreendedorismo e outras situações previstas na legislação.
O Governo mantém, por exemplo, o serviço para pedido de visto de residência destinado a trabalhadores independentes e empreendedores. O procedimento deve ser realizado junto do posto consular competente.
Além disso, Portugal possui mecanismos específicos para determinadas categorias profissionais e para cidadãos abrangidos por acordos internacionais.
Por isso, não é recomendável viajar como turista com a expectativa de resolver posteriormente a situação migratória em Portugal.
Visto para procurar trabalho também mudou
Outra mudança importante envolve o visto destinado à procura de emprego.
Portugal criou esse mecanismo em 2022, permitindo que estrangeiros entrassem legalmente no país para procurar trabalho durante um período determinado.
Entretanto, a reforma migratória alterou significativamente o modelo.
O Governo determinou que os vistos para entrada sem contrato ou promessa de trabalho ficam, em determinadas situações, direcionados a profissionais altamente qualificados. A medida faz parte da estratégia de selecionar melhor os trabalhadores que entram no país.
Na prática, portanto, o brasileiro interessado nesse caminho precisa verificar cuidadosamente se sua profissão e seu perfil atendem aos requisitos atualmente aplicáveis.
Estudantes também enfrentam novas exigências
As mudanças não atingem somente trabalhadores.
Portugal também alterou as regras para estrangeiros que pretendem estudar no país. O Governo aprovou medidas que exigem visto consular prévio para determinadas autorizações de residência destinadas a estudantes.
Essa alteração é especialmente relevante para brasileiros, que representam uma parcela significativa dos estudantes estrangeiros em Portugal.
A recomendação, portanto, é obter a documentação necessária antes da viagem e verificar diretamente com as autoridades portuguesas os requisitos aplicáveis ao curso escolhido.
Reagrupamento familiar ficou mais rigoroso
O reagrupamento familiar também entrou na reforma migratória.
Entre as alterações anunciadas pelo Governo está a exigência de dois anos de residência legal para que determinados titulares possam exercer esse direito. Também foram reforçadas exigências relacionadas à habitação, meios de subsistência e integração familiar.
A medida pode afetar brasileiros que pretendem levar cônjuges, filhos ou outros familiares para Portugal.
Por isso, quem planeja uma mudança familiar precisa analisar não apenas o próprio visto, mas também as regras aplicáveis à entrada e permanência dos familiares.
Portugal ainda precisa de trabalhadores estrangeiros
Apesar do endurecimento das regras, Portugal não deixou de precisar de imigração.
O próprio Governo relaciona a política migratória às necessidades económicas e à atração de trabalhadores. Além disso, diversos setores continuam recorrendo à mão de obra estrangeira para preencher vagas.
Essa aparente contradição explica parte da atual política portuguesa.
De um lado, o país procura reduzir a imigração irregular e controlar melhor quem entra. Por outro, mantém canais legais para trabalhadores que atendem às necessidades da economia.
Assim, a tendência é de uma imigração mais organizada, vinculada ao emprego, à qualificação e à capacidade de integração.
Brasileiros devem evitar viajar sem planejamento
Para quem pretende morar em Portugal, a principal mudança de 2026 pode ser resumida em uma regra prática: planejar antes de viajar tornou-se ainda mais importante.
O portal oficial português orienta que estrangeiros que pretendem residir no país tenham um visto adequado à finalidade da permanência, salvo situações de isenção ou regimes específicos.
Além disso, o Governo disponibiliza serviços específicos para diferentes categorias de trabalhadores e migrantes.
Portanto, o brasileiro que pretende emigrar deve verificar:
- qual visto corresponde ao seu objetivo;
- se precisa de contrato ou promessa de contrato;
- quais documentos precisam ser apresentados;
- quais são os requisitos financeiros;
- quais regras se aplicam aos familiares;
- se a profissão exige reconhecimento ou equivalência de qualificações;
- e quais procedimentos precisam ser realizados antes da viagem.
Novas regras ainda passam por mudanças
Outro ponto merece atenção.
Portugal está em processo de transformação da legislação migratória e algumas medidas aprovadas pelo Parlamento ainda passam pelo controle constitucional e pelos procedimentos necessários antes de produzir todos os seus efeitos.
Por isso, informações divulgadas nas redes sociais ou em sites especializados podem ficar rapidamente desatualizadas.
A melhor estratégia para quem pretende emigrar é consultar os portais oficiais portugueses antes de apresentar qualquer pedido.
A própria plataforma gov.pt alerta, inclusive, que algumas informações sobre imigração podem estar desatualizadas e orienta os interessados a consultar a AIMA para informações mais recentes.
O que o brasileiro precisa saber antes de emigrar
Morar em Portugal continua sendo uma possibilidade para brasileiros, mas o processo de entrada mudou.
O país aumentou o salário mínimo para 920 euros, mantém procura por trabalhadores e continua oferecendo diferentes modalidades de vistos. Ao mesmo tempo, eliminou mecanismos de regularização que facilitaram a entrada e posterior regularização de estrangeiros.
Portanto, a estratégia de chegar como turista e tentar resolver a residência depois deixou de ser uma alternativa segura.
Para quem pretende trabalhar, o caminho mais adequado é procurar uma oportunidade profissional, verificar o visto correspondente e organizar a documentação antes de embarcar.
Conclusão
Portugal continua recebendo brasileiros, mas a imigração de 2026 apresenta um cenário bastante diferente daquele observado nos últimos anos.
O país aumentou o salário mínimo para 920 euros, mantém canais legais de entrada para trabalhadores e estudantes e, simultaneamente, endureceu as condições para residência e regularização.
Para o brasileiro que deseja emigrar, a principal mudança está justamente na necessidade de planejamento.
Emprego, qualificação, documentação, visto adequado e condições financeiras passaram a ter um peso ainda maior na decisão de morar legalmente em Portugal.
Por isso, antes de comprar a passagem, o candidato deve verificar as regras vigentes e utilizar as fontes oficiais portuguesas para confirmar os requisitos do seu caso.
Fontes consultadas
- O Globo
- Governo de Portugal
- gov.pt
- AIMA
- RTP








