Portugal aumenta contratação de estrangeiros e aposta no talento internacional para enfrentar a falta de mão de obra.
Trabalhadores estrangeiros ganham espaço em Portugal
A presença de trabalhadores estrangeiros no mercado de trabalho português continua crescendo e já representa uma parcela significativa da força de trabalho do país.
Dados divulgados pelo Observatório das Migrações mostram que, em 2025, os estrangeiros correspondiam a cerca de 20% dos trabalhadores no ativo em Portugal. Ao mesmo tempo, suas contribuições para a Segurança Social ultrapassaram €4,15 bilhões.
O avanço ocorre em um momento no qual empresas portuguesas enfrentam dificuldades para preencher determinadas vagas. Nesse cenário, profissionais estrangeiros passaram a ter papel cada vez mais importante para setores que precisam ampliar seus quadros.
Portugal busca profissionais fora do país
A necessidade de mão de obra também aparece nas políticas de recrutamento. O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) mantém uma plataforma específica para vagas destinadas a cidadãos de países terceiros que ainda não vivem em Portugal.
A iniciativa permite que empresas portuguesas procurem profissionais no exterior para ocupar postos de trabalho disponíveis.
Além disso, o IEFP oferece mecanismos de recrutamento internacional e integração com a rede europeia EURES, facilitando a mobilidade de trabalhadores entre diferentes países.
Imigração ajuda a sustentar o mercado de trabalho
O aumento da participação estrangeira também tem impacto direto nas contas da Segurança Social.
Entre 2015 e 2025, o número de estrangeiros inscritos no sistema aumentou 447%, enquanto as contribuições pagas por esse grupo cresceram 763%. Em 2025, os trabalhadores estrangeiros responderam por aproximadamente 14% das contribuições para a Segurança Social.
Os números mostram que a imigração passou a ter peso significativo não apenas na oferta de trabalhadores, mas também no financiamento do sistema de proteção social português.
Esse cenário é particularmente relevante diante do envelhecimento demográfico do país e da necessidade de manter uma população ativa capaz de sustentar a economia.
Brasileiros também fazem parte desse movimento
Os brasileiros estão entre as comunidades estrangeiras mais numerosas em Portugal e participam de diferentes áreas do mercado de trabalho.
Para profissionais que pretendem trabalhar no país, entretanto, o aumento da procura por mão de obra estrangeira não elimina a necessidade de cumprir as regras migratórias.
Portugal vem reforçando a exigência de que trabalhadores de países terceiros utilizem os canais legais de imigração e obtenham o visto adequado antes da mudança, conforme a modalidade profissional escolhida.
Por isso, a existência de vagas não significa autorização automática para trabalhar ou residir no país.
Falta de mão de obra mantém imigração no centro do debate
A contradição entre a necessidade de trabalhadores e o endurecimento das políticas migratórias tornou-se um dos principais temas do debate português.
De um lado, empresas procuram profissionais para preencher vagas. De outro, o país adotou regras mais rígidas para a entrada e regularização de estrangeiros.
Mesmo nesse ambiente, os dados indicam que os trabalhadores imigrantes continuam ocupando um espaço importante na economia portuguesa.
O próprio IEFP mantém atualmente milhares de ofertas de emprego e permite que algumas sejam direcionadas a cidadãos de países terceiros que ainda estão fora de Portugal.
Verificação editorial: confirmada
A informação central da reportagem do HR Portugal é compatível com os dados disponíveis em fontes oficiais e estudos sobre o mercado de trabalho português. A participação dos estrangeiros no emprego e nas contribuições para a Segurança Social aumentou significativamente nos últimos anos.
Além disso, Portugal possui mecanismos oficiais para recrutamento de trabalhadores estrangeiros ainda residentes fora do país, confirmando que a contratação internacional é uma realidade do mercado português.
A situação mostra que, apesar do endurecimento das regras migratórias, a mão de obra estrangeira continua sendo importante para empresas portuguesas que enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores.
Fontes
- HR Portugal
- Observatório das Migrações / Lusa
- IEFP
- IEFP
- EURES/IEFP








