Quem vive o processo migratório aprende rapidamente que, muitas vezes, a realidade administrativa é tão importante quanto a própria legislação.
Recentemente, passei pela experiência de matricular a minha filha, de 3 anos, em Portugal. Como muitas famílias imigrantes, deparei-me com procedimentos diferentes entre estabelecimentos de ensino.
Numa das escolas, a direção exigiu a apresentação da documentação completa, incluindo o Número de Identificação da Segurança Social (NISS). Sem esse documento, não seria possível avançar com o processo.
No entanto, noutra escola, a abordagem foi diferente. A equipa administrativa permitiu que eu realizasse uma pré-matrícula e emitiu uma declaração destinada à obtenção do NISS. Agora, resta apresentar esse número e aguardar a confirmação da existência de vaga para o início do próximo ano letivo, previsto para setembro.
Esta experiência mostra que o enquadramento legal convive com práticas administrativas que podem variar de escola para escola. Além disso, o Portal das Matrículas prevê a apresentação de diversos documentos, podendo os estabelecimentos de ensino solicitar elementos necessários para a instrução do processo.
É importante destacar que cada situação deve ser analisada individualmente e que as exigências administrativas podem variar conforme o estabelecimento de ensino e os serviços envolvidos. Por isso, é recomendável que as famílias procurem informação atualizada junto da escola e dos organismos públicos competentes.
No meu caso, a declaração emitida pela escola tornou-se um documento importante para dar continuidade ao pedido do NISS, demonstrando que, muitas vezes, uma solução administrativa pode facilitar o acesso a um direito fundamental.
A experiência migratória é feita de muitos pequenos desafios burocráticos. Conhecer os procedimentos, dialogar com as instituições e reunir a documentação adequada pode fazer toda a diferença para garantir que os nossos filhos tenham acesso aos seus direitos e iniciem o percurso escolar com maior tranquilidade.
Daniela Bezerra | Advogada | Colunista sobre Imigração Brasil-Portugal
Referências jurídicas e institucionais:
GOV.PT – Portal das Matrículas.
Decreto-Lei n.º 176/2012, de 2 de agosto.
Despacho Normativo n.º 2-B/2025, de 21 de março.










