Igreja Católica alerta contra xenofobia em Portugal e defende acolhimento, proteção e integração de imigrantes.
Bispo alerta para avanço do medo e da xenofobia
Às vésperas do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, a Igreja Católica voltou a defender o acolhimento e a integração de imigrantes em Portugal. Em entrevista à Renascença e à Agência Ecclesia, o bispo de Portalegre-Castelo Branco e presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, Dom Pedro Fernandes, alertou para o crescimento de discursos de ódio e da xenofobia.
Segundo o bispo, Portugal mantém uma tradição de tolerância e integração, mas existe um sentimento de medo que pode favorecer discursos simplistas contra os imigrantes.
Dom Pedro Fernandes também criticou a utilização de dados incorretos para alimentar a percepção de que a imigração representa uma ameaça à sociedade. Para ele, o debate precisa considerar a realidade econômica, social e demográfica do país.
Igreja defende acolhimento e integração
Durante a entrevista, o bispo recuperou princípios defendidos pela Igreja Católica em relação às migrações. Entre eles estão acolher, proteger, promover e integrar.
A proposta envolve a criação de caminhos legais e seguros para a entrada de migrantes, proteção dos direitos fundamentais, oportunidades de trabalho e estudo e políticas que favoreçam a integração nas comunidades de acolhimento.
A Igreja também defende o combate à desinformação sobre os imigrantes e maior diálogo entre autoridades públicas, organizações sociais e comunidades.
Dom Pedro Fernandes destacou ainda o trabalho realizado por instituições ligadas à Igreja, incluindo a Obra Católica das Migrações, o Serviço Jesuíta aos Refugiados, o Centro Padre Alves Correia e a Cáritas.
Imigração é considerada importante para Portugal
Outro ponto destacado pelo representante da Igreja é a contribuição dos imigrantes para a sociedade portuguesa.
Dom Pedro Fernandes afirmou que Portugal não pode ser compreendido atualmente sem considerar a presença de trabalhadores estrangeiros. Segundo ele, os imigrantes contribuem para a economia, para o mercado de trabalho e para a estrutura demográfica do país.
A declaração ocorre em um momento de mudanças importantes na política migratória portuguesa, marcado pelo endurecimento de regras para entrada, residência e regularização de estrangeiros.
Para o bispo, Portugal pode estabelecer regras para controlar e organizar os fluxos migratórios, mas essas políticas devem preservar a dignidade das pessoas e considerar também as necessidades da própria sociedade portuguesa.
Dia Mundial do Migrante será celebrado em 27 de setembro
O alerta ocorre poucos dias antes do 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, marcado para domingo, 27 de setembro de 2026.
O tema escolhido pelo papa Leão XIV é “Mesmo uma só destas crianças”. A mensagem deste ano coloca atenção especial na situação de crianças migrantes e refugiadas e nos desafios enfrentados pelos menores obrigados a deixar seus países.
A data é celebrada anualmente no último domingo de setembro e busca chamar a atenção da sociedade para a situação de migrantes e refugiados.
Verificação editorial: confirmada
A informação publicada pelo Vatican News é verdadeira e foi confirmada pelo próprio portal oficial do Vaticano. A entrevista com Dom Pedro Fernandes ocorreu às vésperas do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado e aborda diretamente o cenário da imigração em Portugal.
O tema oficial de 2026 também foi confirmado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral: “Mesmo uma só destas crianças” será o lema da celebração de 27 de setembro.
Fontes
- Vatican News
- Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral
- Agência Ecclesia
- Rádio Renascença









