Portugal participará dos testes do euro digital com Banco de Portugal, CGD, BCP e Unicre em projeto coordenado pelo Banco Central Europeu.
Portugal integra fase decisiva do euro digital
Portugal foi selecionado para participar da próxima fase de testes do euro digital, a futura moeda digital do Banco Central Europeu (BCE). O projeto-piloto envolverá o Banco de Portugal e três instituições financeiras portuguesas: Caixa Geral de Depósitos (CGD), Millennium BCP e Unicre.
O anúncio foi feito pelo BCE, que escolheu 36 prestadores de serviços de pagamento de diferentes países da zona do euro para colaborar no desenvolvimento e validação da nova infraestrutura de pagamentos digitais.
Como funcionará o projeto-piloto
A fase de testes está prevista para começar no segundo semestre de 2027 e deverá durar cerca de 12 meses.
Durante esse período, será utilizada uma versão beta do euro digital para testar pagamentos em lojas físicas, comércio eletrónico, transações entre pessoas e pagamentos offline. O objetivo é verificar o desempenho da plataforma, identificar eventuais melhorias e avaliar a experiência dos utilizadores antes de uma possível implementação oficial.
Segundo o BCE, mais de 50 instituições apresentaram candidatura para participar no projeto, das quais apenas 36 foram selecionadas, representando diferentes modelos de negócio e mercados financeiros da zona do euro.
O que é o euro digital
O euro digital será uma versão eletrónica da moeda emitida diretamente pelo Banco Central Europeu.
Ao contrário das criptomoedas, o euro digital será uma moeda oficial, com o mesmo valor do euro em notas e moedas. A proposta não pretende substituir o dinheiro físico, mas oferecer uma alternativa adicional para pagamentos digitais, aumentando a autonomia da Europa nos sistemas de pagamentos.
O BCE afirma que a iniciativa procura reduzir a dependência de plataformas internacionais de pagamento e preparar o sistema financeiro europeu para a crescente digitalização da economia.
Papel das instituições portuguesas
No projeto-piloto, o Banco de Portugal atuará em conjunto com o BCE na coordenação técnica dos testes.
Já a Caixa Geral de Depósitos, o Millennium BCP e a Unicre terão funções ligadas à distribuição do euro digital beta aos utilizadores selecionados e ao processamento de pagamentos realizados por comerciantes participantes.
A participação destas instituições permitirá avaliar o funcionamento do sistema em situações reais de utilização, contribuindo para aperfeiçoar a infraestrutura antes de uma eventual implementação em toda a zona do euro.
Lançamento ainda depende de aprovação
Embora os testes representem um avanço importante, o euro digital ainda não tem data definitiva para entrar em circulação.
A emissão da nova moeda depende da aprovação da legislação europeia atualmente em discussão pelas instituições da União Europeia. Caso o processo legislativo avance conforme o previsto, o BCE estima que uma eventual emissão possa ocorrer no final da década.
Até lá, os testes servirão para verificar questões relacionadas à segurança, privacidade, desempenho tecnológico e integração com os atuais sistemas bancários.
O que muda para os cidadãos
Se for implementado, o euro digital permitirá realizar pagamentos eletrónicos utilizando uma moeda emitida diretamente pelo banco central, mantendo o mesmo valor do euro tradicional.
O BCE tem afirmado que o dinheiro em espécie continuará disponível e que o euro digital funcionará como uma opção complementar. A instituição também defende que o projeto foi concebido para proteger a privacidade dos utilizadores e reforçar a soberania europeia na área dos pagamentos digitais.
Conclusão
A participação de Portugal no projeto-piloto coloca o país entre os protagonistas do desenvolvimento do euro digital. Com o envolvimento do Banco de Portugal, da CGD, do Millennium BCP e da Unicre, os testes ajudarão a definir como poderá funcionar a futura moeda digital europeia.
Embora a adoção definitiva ainda dependa de decisões legislativas e dos resultados do piloto, a iniciativa representa um passo importante na modernização dos meios de pagamento da zona do euro e na preparação do sistema financeiro para os desafios da economia digital.








